O dia em que o Superman morreu
11 maio, 2007 por Willian Correa
Na verdade, não me lembro do que eu estava fazendo ou que dia era aquele. Na verdade, eu mal lia quadrinhos naqueles tempos, apenas algumas edições esporádicas aqui e acolá. Mas eu me lembro de quando vi a notícia no Jornal Nacional: “O Superman está morto!” E colocaram justo aquela cena que jamais me esqueci, com o Batman, a Mulher-Maravilha, o Aquaman, o Lanterna Verde e outros carregando o caixão com aquele icônico emblema do “S” entalhado.
Na época, mesmo não sendo um leitor costumeiro de quadrinhos, eu sabia que heróis normalmente não morriam. Ou melhor, alguns secundários morriam (e até retornavam), mas isso nunca tinha sido notícia; agora não, o Superman estava morto, e sua morte foi noticiada no Jornal Nacional! E no domingo, no Fantástico! E naquela semana, em todos os jornais do mundo.
Jamais eu soube que o Superman tivesse tamanha relevância para o mundo. Sempre gostei dele, sempre foi um ícone pra mim; mas eu não sabia que ele era assim querido por tanta gente. E podem me chamar de piegas, mas eu gosto desses heróis “certinhos” e que lutam pela verdade e pela justiça: em meio a heróis cheios de músculos e próteses biônicas que pipocaram para tudo quanto é lado nos anos 90, eu fico mesmo é com os clássicos, Superman, Capitão América, Homem-Aranha.
Voltando a 1993, naquele ano, eu passei o Natal na casa de meus tios, em São Bernardo do Campo, e esse meu tio é colecionador de quadrinhos desde que era menino. E lá, meu irmão me mostrou, com a capa preta e o “S” sangrando num tom metalizado, a edição especial em que o primeiro super-herói do mundo morria.
Nem preciso dizer que devorei a história num segundo. Estranhei aquela Liga da Justiça estranha, com um tal de Gladiador Dourado e cara de anel amarelo do qual nunca tinha ouvido falar, com um corte de cabelo “tigelinha”.
Mas tudo bem, lá estava ele, Superman, enfrentando um monstro enlouquecido, e disposto a fazer o sacrifício final para salvar as pessoas. E assim ele o fez. Nunca vou me esquecer da capa rasgada pendurada como uma bandeira…
Depois vieram as histórias seguintes, com o funeral (que na minha opinião foi a melhor parte de toda a saga) e o retorno. Mas nem foi preciso para eu me tornar colecionador também, eu já estava fisgado. Passada a emoção da aventura, eu agora queria saber quem eram aqueles outros personagens que eu desconhecia, como Lex Luthor II e a Supergirl de protomatéria.
Meu tio, como presente, deu-me a coleção todinha da Liga da Justiça de Keith Giffen e J. M. de Matteis. Rapaz, que presente! Na época eu não tinha muita idéia disso, mas hoje essas revistas têm um cantinho especial na minha coleção (que como passou a ocupar muito espaço, tive que encaixotar).
Então, hoje, no alto dos meus treze anos de colecionador de quadrinhos, posso dizer com certeza: aquela pode não ter sido a melhor história que já li (na verdade já li inúmeras melhores), mas é especial pra mim porque foi com ela que aprendi a gostar da nona arte. Hoje em dia, fizeram o mesmo com o Capitão América; e o Joe Quesada teve a coragem de dizer que Steve Rogers não se adequava mais aos novos tempos. Que audácia! Quisera eu poder dizer a ele que foi graças a um herói “que não se adequava mais aos novos tempos” que passei a me tornar um leitor assíduo de quadrinhos.
Tomara que o “bom e velho capitão” faça a muitas outras pessoas o mesmo que o “azulão” fez por mim…







O dia em que o Superman morreu
Na verdade, não me lembro do que eu estava fazendo ou que dia era aquele. Na verdade, eu mal lia quadrinhos naqueles tempos, apenas algumas edições esporádicas … Mas eu me lembro de quando vi a notícia no Jornal Nacional: “O Superman está morto”.
Ótimo texto!
Acho que foi nessa época que comecei a colecionar quadrinhos tbm, lembro quando comprei essa edição… eu li sem parar do início ao fim!
[...] …Mas eu me lembro de quando vi a notícia no Jornal Nacional: “O Superman está morto!” E colocaram justo aquela cena que jamais me esqueci, com o Batman, a Mulher-Maravilha, o Aquaman, o Lanterna Verde e outros carregando o caixão…” Continue a leitura aqui > ZINE ACESSO [...]
Achei a maior jogada de marketing do universo, o melhor enredo de uma “morte”, a melhor capa e o maior investimento de um colecionador. Porém depois…achei o pior “ressurgimento”. Mal pudemos nos acostumar ao fato, lá está ele, vivo da Silva! Mais tempo morto poderia ter feito um bem maior o personagem, assim como clubes de futebol… uma temporada na segundona pode elevar o moral e fazer milagres como time!
Mas a minha edição, eu não vendo, não troco, nem empresto! sai pra lá!