A História dos Videogames - Parte 3
14 novembro, 2007 por Willian Correa
Erros da Atari, console no Brasil e seus jogos
Todos vimos anteriormente a importância de Nolan Bushnell para a história do entretenimento eletrônico. Ele não apenas aprimorou um gênero de diversão que ainda engatinhava, como também o revolucionou: todo mundo quis ter um Atari 2600! Vimos também que por ainda julgar sua empresa pequena e sem competitividade, ele a vendeu à Warner Communications, que empreendeu uma feroz publicidade para o console, fazendo suas vendas e a de seus cartuchos atingirem números nunca antes imaginados.
Adventure

Bobby is Going Home

Decathlon

H.E.R.O.
Pitfall
Com esta estratégia, no início dos anos 80 houve uma enxurrada de jogos lançados para a plataforma, e que hoje figuram entre seus clássicos: Adventure (o precursor dos RPGs atuais), Bobby is Going Home, Decathlon (que quebrou inúmeros controles da criançada que tentava bater os recordes), Enduro (famoso por seu desafio), Freeway, Frogger (estes dois conhecidos por levar a galinha e o sapinho ao outro lado da rua, respectivamente), H.E.R.O. (lançado quase no fim da vida do console, mas considerado por muitos o melhor título dele), Keystone Kapers (aqui no Brasil conhecido como “Pega Ladrão” ou “Ladrão de Supermercado”), Moon Patrol, Pac-Man (mascote da Namco), Pitfall (até hoje a “menina dos olhos” da Activision), River Raid, Seaquest e Space Invaders, só para citar alguns (a lista é extensa, nem daria para citar todos, mas com certeza cada um tem aquele seu jogo preferido guardado na memória). Isso sem falar em Donkey Kong e Mario Bros., estreantes no mundo dos games por uma ainda desconhecida Nintendo, empresa japonesa que até então fazia apenas selos e cartas de baralho…
Só que por incentivar esta produção em massa de jogos para seu console, a Atari acabou dando um “tiro no próprio pé”: ao mesmo tempo em que eram lançados bons títulos, um número ainda maior de jogos horríveis e medíocres também chegava às lojas, comprometendo a credibilidade não apenas do Atari 2600, mas também da própria indústria de videogames. Isso sem contar que nesta época, os computadores domésticos já estavam se popularizando, e as pessoas preferiam um aparelho que as permitisse não apenas jogar, mas realizar várias outras funções.
E não deu outra: em 1984, sete anos após seu lançamento, o Atari 2600 afundou, levando todo o mercado de entretenimento eletrônico com ele. Se antes todo mundo queria tê-lo, agora ninguém mais queria saber de videogames… Esse episódio foi tão importante que ficou conhecido como o “crash dos videogames”, e todo aquele que trabalha neste ramo treme de medo só de lembrar deste período.
Já aqui no Brasil, como o Atari 2600 chegou oficialmente depois, os efeitos desta crise mal foram observados. Na época, vigorava aqui a lei de “Reserva de Mercado”, que entre outras coisas, proibía a importação direta de vários produtos, entre eles automóveis, brinquedos, e componentes eletrônicos: ou seja, para ser comercializado no Brasil, determinado produto deveria ser produzido por uma empresa nacional e ser submetido à aprovação, para saber quais partes suas eram nacionais e quais eram importadas (isso acabou no governo Collor, o que levou à falência várias empresas daqui).

Odyssey
Os brasileiros na verdade já conheciam videogames desde 1977: a Philco chegou a lançar o Tele-Jogo (um dos “clones” do Home Pong lançados nos EUA), a Philips o Odyssey, e desde 1981 já havia os “genéricos” do Atari 2600 por aqui (Top Game da Bit Eletrônica, futura Milmar, Dactari da Sayfi e Dynavision da Dynacom).
O Atari 2600 só foi lançado por aqui em agosto de 1983 pela Polivox (pertencente ao grupo Gradiente), que firmara contrato com a Atari Corporation dos EUA, contando com 28 jogos disponíveis. Com todas essas opções, o que era esperado pelos empresários e comerciantes aconteceu: o Natal de 1983 foi o Natal dos videogames! E 1984 foi um ano ainda melhor, com o lançamento de mais cartuchos e mais dois consoles, o Supergame VG-2800 da CCE e o Dismac VJ-9000 da própria Dismac. Lógico que a Polivox não gostou disso, e tratou de maldizer os outros consoles em suas propagandas (chegou até a dizer que os cartuchos dos outros danificavam o Atari 2600).

Enduro
Pac-Man
Mario Bros.

Donkey Kong
Porém essa guerra já estava com os dias contados: com o Atari 2600 tendo seu fim decretado nos EUA, não havia mais suporte a novos jogos e acessórios por aqui, e também logo estariam aportando em terras tupiniquins os consoles de novas gerações que já faziam a alegria de norte-americanos e japoneses, o que determinou o fim da “Era Atari” no Brasil. Mesmo assim, o console ainda possui inúmeros fãs pelo mundo todo, que preservam sua memória e se divertem com seus jogos, seja com ele próprio conectado à TV ou por meio de emuladores.
Quanto à Atari, sua divisão de consoles e computadores já tinha sido vendida pela Warner em 1984, sendo dividida e tornando-se duas: Atari Games (ainda da Warner) e Atari Corporation. A primeira acabou sendo comprada pela Midway (criadora de Mortal Kombat), e a segunda acabou na mão da Infogrames, que tem direito atualmente sobre a maioria dos títulos dos jogos da antiga empresa, bem como de usar o nome e o logo da Atari.
Na 4ª parte, a tentativa falha dos norte-americanos de reerguer o mercado de videogames e a salvação vinda da fabricante de baralhos. Precisa falar mais alguma coisa? Vejo vocês lá!















Muito boa reportagem! Viajei mesmo.Quase saiu uma lágrima ao ver a foto do Adventure, bob….e o Odyssey?Que saudade daquele trambolho!
Parabéns mesmo W!
[...] visto na 3ª parte de nossa história, em 1984 houve o crash dos videogames nos EUA encabeçado pelo Atari 2600, que o levou, bem como a [...]
Em 1984 a Sharp tinha um console de video game, que tinha graficos e resolucao superiores ao ATARI, mas nao vingou pq os games eram muito caros. Vc se lembra do nome do console?
[...] fracassos destas duas empresas. A partir daí, a Atari teve seu triste fim, conforme narramos na terceira parte da nossa história, e a SEGA ainda iria tentar de novo com seu Dreamcast, conforme veremos [...]
[...] Parte 3 [...]