Top

A História dos Videogames – Parte 4

27 novembro, 2007 por Willian Correa 


A salvação vinda do oriente

Conforme visto na 3ª parte de nossa história, em 1984 houve o crash dos videogames nos EUA encabeçado pelo Atari 2600, que o levou, bem como a vários outros para uma queda vertiginosa de vendas e interesse do público: no período em que o console da Atari reinou absoluto, houve a tentativa de muitas empresas para tentar abocanhar uma fatia do mercado dele (Intellivision, Arcadia 2001) ou até suplantá-lo, como foi o caso do Colecovision, ótimo videogame e que inaugurou a 3ª geração de consoles, pois era superior ao Atari 2600. A própria Atari até tentou de novo ao lançar mais um console, o Atari 5200 para competir com o Colecovision, e a GCE/Milton Bradley lançou o Vectrex, que era inovador por usar gráficos vetoriais ao invés de pixels como todos os outros, mas o crash de 1984 caiu como uma bomba sobre todos, enterrando-os definitivamente e encerrando também a curtíssima 3ª geração.

MSX
MSX

Só que enquanto as coisas iam mal nos EUA, no Japão a história tomava um rumo diferente: em 1983, a ainda pequena Microsoft e a japonesa Ascii criaram o padrão MSX, com a idéia de criar um computador barato e acessível a todos, e é claro, com a possibilidade de jogar videogames! A Konami, por exemplo, produziu vários jogos para a plataforma, e títulos que hoje são famosíssimos, como “Castlevania” (na época “Vampire Killer”) e “Metal Gear Solid” nasceram no MSX antes de migrarem para os consoles. Começava assim a introdução dos japoneses ao mercado de entretenimento eletrônico, terreno que dominariam nos anos que viriam a seguir.

Famicom
Famicom

Habitualmente, em tom de brincadeira, diz-se que os japoneses não inventam muitas coisas, eles na verdade melhoram as invenções dos outros. Com os videogames não foi diferente, e em julho de 1983, a salvação dos consoles caseiros finalmente foi lançada: a Nintendo, antiga fabricante de cartas de baralho e selos, lança o Famicom (junção do termo “Family Computer”). Ele, com seu genial “Super Mario Bros.”, lançado unicamente para o mercado interno, fascinou os japoneses instantaneamente, sendo campeão de vendas no país antes mesmo do crash nos EUA.

A empresa, vendo o sucesso de seu console, decidiu lançá-lo em terras norte-americanas, e de início tentou vender o licenciamento de seu videogame à Atari, que tomando uma das decisões mais infelizes da história, recusou a oferta.

NES - Nintendo Entertainment System
NES – Nintendo Entertainment System

Ao receber essa decisão da empresa norte-americana, a Nintendo decidiu lançá-lo por meios próprios nos EUA, não sem dificuldades: inicialmente, os lojistas acharam o visual do Famicom ridículo, por se parecer demais com um brinquedo e não com um videogame, e, com isso, o console foi redesenhado para se parecer mais com um aparelho eletrônico, ganhando então o nome de NES (Nintendo Entertainment System). Foi assim que surgiu a diferenciação dos cartuchos também, já que o Famicom aceitava o padrão japonês, de 60 pinos de encaixe, e o NES aceitava o padrão americano, de 72 pinos.

Super Mario Bros. - NES
Super Mario Bros.

Além disso, a Nintendo aceitou a humilhante cláusula contratual de que iria comprar de volta todos os consoles que encalhassem nas lojas, já que as grandes redes de lojas de departamentos norte-americanas temiam um novo fracasso. E assim, em outubro de 1985, unido a mais dois acessórios inúteis por exigência dos lojistas, a Power Glove e o R.O.B. (um robozinho que “jogava”), o NES foi lançado na terra do Tio Sam.

E não deu outra: o videogame foi o maior sucesso! Popularizou-se tão rápido que de cada 3 lares americanos, 1 tinha um NES!

Lógico que o console não se mantinha apenas por sua capacidade. Aliado à inteligentíssima estratégia de marketing, que estimulava o desejo de todos, os jogos desenvolvidos para a plataforma eram fenomenais, a começar pela diferenciação básica: além de serem bem feitos, eles agora tinham enredo e um fim, novidade até então.

Além disso, a Nintendo firmara contrato com várias softhouses, como Capcom, Konami, Square, Namco, Taito, entre outras. Somado a isso, a própria empresa desenvolvia seus jogos também, como “Metroid”, “Super Mario Bros.” – primeira criação e mascote da empresa – e “The Legend of Zelda”, todas criações do gênio Shigeru Miyamoto, tido até hoje como o maior designer de games de todos os tempos.

Legend of Zelda
Legend of Zelda

Com tudo isso, o NES foi líder absoluto de vendas e preferência dos jogadores, sendo o console mais vendido do mundo por vários anos, perdendo esse posto apenas para o portátil Gameboy, da própria Nintendo, e para o PlayStation, da Sony. Mesmo assim, ele detém alguns recordes imbatíveis até hoje, como possuir o jogo mais vendido da história – “Super Mario Bros. 3”, com 17 milhões de cópias – e ser o mais longevo: a Nintendo americana lançou o NES 2 em 1993, dando suporte à plataforma até 1995, enquanto a Nintendo japonesa produziu o Famicom até 2003, dando ao console uma vida útil de 20 anos, marca realmente impressionante.

Sendo assim, o resto é história: o NES dominou 90% do mercado de videogames da era dos 8 bits (4ª geração), e só perdeu essa colocação quando surgiram os videogames de 16 bits, Mega Drive e Super Famicom (Genesis e Super NES nos EUA, respectivamente).

Na 5ª parte, o NES no Brasil e alguns de seus jogos mais famosos. Até lá!

Leia também:

Comentários

11 Comentários para “A História dos Videogames – Parte 4”

  1. André Miranda em 28 novembro, 2007 13:44

    Muita saudade do Nintendinho! Na época eu tinha um Master System (e aí, quando vai começar a falar da Sega?), mas eu confesso que morria de inveja dos jogos dos NES.

  2. Willian em 28 novembro, 2007 14:26

    Pode deixar André! Tão logo terminar de falar dos clones do NES no Brasil (próxima matéria), praticamente só vai dar Sega (lançamento do Master System, chegada dele por aqui pela Tec Toy e o Mega Drive)!

  3. F. Camatari em 28 novembro, 2007 15:38

    Cara…eu lembro de um acessório da Nintendo! Era um tapete-sensor, para alguns jogos de esporte…
    E o Super Mario…nunca tive paciência de jogar, mas sempre quis saber alguém já terminou….aliás, alguém aqui terminou o jogo????

  4. Willian em 28 novembro, 2007 16:29

    Fábio, o fim era sofrível! A Princesa Toadstool simplesmente lhe agradecia e dizia que se eu quisesse recomeçar, era só apertar o botão. E o jogo recomeçava, um pouco mais difícil. Dá pra acreditar, depois de 32 fases? Mas tudo bem, o Nintendinho só estava começando…rsrsrs.

  5. Zine Acesso » A História dos Videogames - Parte 5 em 7 dezembro, 2007 11:38

    [...] Como pudemos observar anteriormente, o Famicom/NES salvou a indústria de videogames. Não apenas fez isso, como também criou a base na qual se sustentaria todo um novo mercado, ou seja, as pessoas voltaram a gostar de videogames, situação mantida até hoje. Mega Man [...]

  6. A História dos Videogames « Fervendo Cerebro em 9 setembro, 2008 8:32

    [...] Parte 4 [...]

  7. MFD em 17 janeiro, 2009 18:59

    Como que Super Mario Bros. fez sucesso no Japão antes do crash de 1984,se o jogo só foi lançado em 1985??

  8. MFD em 17 janeiro, 2009 19:10

    Aliás o crash do mercado de video game nos EUA foi em 1983, ou seja dois anos antes de Super Mario Bros. ser lançado. Mas enfim o NES foi um verdadeiro fenômeno, vendeu 61.92 milhões de unidades e é o console doméstico mais vendido da Nintendo. Em segundo lugar está o SNES com 49.10 milhões de unidades vendidas, seguido pelo Nintendo Wii com 34.55 milhões de unidades vendidas até agora, em quarto está o Nintendo 64 com 32.93 milhões de unidades vendidas e por último está o Nintendo GameCube com 21.74 milhões de unidades vendidas. Juntando todos os consoles mais todos os modelos de Game Boy e todos os modelos de Nintendo DS, a Nintendo já vendeu 485.9 milhões de aparelhos.

  9. Willian Corrêa em 2 abril, 2009 11:01

    Realmente, amigo, eu pesquisei bastante a respeito do crash dos videogames, e encontrei referências que faziam menção a 1983 e 1984, sendo na verdade um período bem incerto. Preferi optar pela segunda pela maioria das fontes de pesquisa, assim como o foi pelo ano de lançamento de Super Mario Bros. no Japão: em 1983, e nem era em cartucho, era um tipo de um cartãozinho magnético, apenas para o mercado interno. De qualquer maneira, valeu pelos dados, grande abraço!

  10. Pato Donald em 26 julho, 2009 18:00

    Olá amigo! Muito bons seus artigos sobre a história do videogame!

    Eu percebi que você ciou “Super Mario Bros. 3″ nesse artigo. Recentemente eu fiz um review sobre o jogo:

    http://pato61.wordpress.com/?p=111&preview=true

    Confira se tiver um tempo, deu um trabalhão pra fazer. XD

    E continue o bom trabalho com seus artigos! =)

  11. Willian Corrêa em 11 junho, 2010 11:07

    Olá a todos, pessoal. Só para complementar este post, e sanar algumas dúvidas, gostaria de dizer a todos que têm acompanhado “A História dos Video Games” que tão logo terminá-la (ela está pertinho do fim), pretendo fazer um adendo especial sobre as gerações de consoles, dividindo-os conforme a época em que foram lançados. Por isso mesmo até, ao contrário do que eu vinha preconizando aqui na série, em que as gerações foram divididas segundo a capacidade e tecnologia dos consoles, no adendo eu os dividirei conforme o padrão adotado geralmente, baseado no período e ambiente em que os video games foram lançados. Sendo assim, este critério colocará o Colecovision e o Vectrex na 2ª Geração, e o NES, Master System, Game Boy e Game Gear, por exemplo, ficarão na 3ª, OK? Grande abraço a todos!

Fique a vontade para deixar seu comentário.
Se quiser uma figura para aparecer em frente ao seu comentário, adquira o seu no site gravatar!





Bottom