A História dos Videogames – Parte 10
22 fevereiro, 2008 por Willian Correa
Super Nintendo, o ápice da guerra “SEGA X Nintendo”
Bem, demorou mas chegou! A “História dos Videogames” pode ter tido um breve hiato nestas últimas semanas, mas aqui está, firme e forte novamente, conforme prometido! Agora, só para refrescar a memória, na 9ª parte conhecemos o Neo Geo, ótimo console, porém caríssimo, o que o fez ser um videogame apenas para uns poucos abastados da época; a Nintendo lançara o Game Boy, praticamente dominando o mercado de portáteis e o Mega Drive reinava absoluto como console de 16 bits, sem nenhum concorrente à altura.
Mas em 1990 esta história estava para mudar: a Nintendo, vendo que seu NES já não tinha mais fôlego para lutar contra os outros, finalmente lançou no mercado seu console da nova geração, o Super Famicom.

Super Famicom
O novo videogame era tudo o que os gamemaníacos desejavam: inovador, apresentando um joystick de oito botões (A, B, X, Y, R e L, além dos clássicos Select e Start), e poderoso, com gráficos e sons avançados, 256 cores simultâneas na tela e a capacidade de apresentar efeitos de rotação e “zoom” que o Mega Drive nem sequer sonhava. Ele só possuía um defeito, um processador muito lento, que rodava a 3,57 Mhz, enquanto o console da SEGA rodava a 7,67 Mhz; essa foi a “fraqueza” do console de 16 bits da Nintendo, mas serviu para equilibrar as coisas na disputa de mercado.
Um ano depois, em 1991, o Super Famicom aportou nas terras do Tio Sam, redesenhado e rebatizado como Super Nintendo Entertainment System (SNES), e aí sim a guerra pegou fogo! Novamente a Nintendo firmara contrato com produtoras para desenvolverem jogos fenomenais para a nova plataforma, e títulos como Chrono Trigger, Gradius III, Mega Man VII e Mega Man X, Super Castlevania IV, Super Contra III, Teenage Mutant Ninja Turtles IV e Top Gear foram sucessos instantâneos. Isso sem contar os jogos desenvolvidos pela própria empresa, como F-Zero, Super Mario World, Super Mario Kart, Super Metroid e The Legend of Zelda: a Link to the Past, ou então os criados por parceria entre a Nintendo e outras produtoras, como Donkey Kong Country, da Rare, e Super Mario RPG, da Square.

Super Nintendo Entertainment System (SNES)
Mas agora aquela cláusula contratual que a Nintendo impusera anos antes às softhouses não existia mais, e então elas estavam livres para desenvolverem jogos tanto para ela quanto para a SEGA, e esse foi um período áureo para os jogadores: jogos eram lançados em multiplataformas, ou seja, detentores de consoles diferentes poderiam aproveitar os mesmos jogos em muitos casos, tendência que é seguida até hoje.

Street Fighter – Turbo Hyper Fighting
Além disso, naquela época os jogos de luta estavam em alta, e títulos como Street Fighter II eram objeto de desejo entre os gamemaníacos; sendo assim, a Nintendo não titubeou e lançou o título, sendo suplantada depois pela SEGA que lançou a versão “Champion Edition”, que permitia que se escolhesse os chefes. A resposta da Nintendo veio então com o lançamento da versão “Turbo Hyper Fighting”, que além de se poder escolher os chefes, permitia-se turbinar o jogo.
Mas este foi apenas um dos vários exemplos. Outro famoso foi Mortal Kombat: lançado para os dois consoles, os jogadores acabaram por preferir a versão do Mega Drive, já que esta tinha sangue e a do SNES não. Os jogos de luta de rua também seguiam esta tendência: enquanto o Mega Drive tinha Streets of Rage, o SNES tinha Final Fight, e por aí vai…

Mortal Kombat dos SNES – Sem sangue

Starfox
Em 1993, como o Mega Drive ainda liderava as vendas, a Nintendo tentou compensar a deficiência de seu processador e lançou títulos com um chip para dar uma “turbinada” em seus jogos, o Super FX, e dessa maneira puderam ser criados jogos com gráficos poligonais, como Starfox, uma revolução para a época, assim como Virtua Racing, lançado um ano antes para o Mega Drive, que como tinha um processador mais rápido, não precisava de “upgrade” algum.
Mas só a partir deste período a balança começou a pender para o lado do SNES, e a Nintendo lançou títulos para ele até a exaustão, bem como periféricos como a Super Scope, uma bazuca para jogos de tiro. Nesta história toda um periférico chama a atenção, o adaptador que seria conectado ao SNES e permitiria a ele rodar jogos em CD-ROM, assim como o SEGA-CD e o 32-X faziam pelo Mega Drive: criado por meio de uma parceria com a Sony, a Nintendo abrupta e inesperadamente rompeu o contrato e deixou a ex-parceira com o protótipo já pronto. O nome do protótipo? Play Station!

Super Scope
Isso mesmo! O resto da história todos nós conhecemos: a Sony decidiu lançar por meios próprios seu console, uniu as duas palavras e assim nasceu o PlayStation, o videogame que pôs fim à guerra entre as duas grandes, já que as atropelou por completo…
Aqui no Brasil não foi muito diferente: como a Nintendo estava representada oficialmente pela Playtronic e a SEGA pela Tec Toy, os lançamentos e tudo o mais puderam ser usufruídos pelos brasileiros também. Ou seja, foi o melhor período para os jogadores no Brasil, pois além de poderem se deleitar com sua paixão, os jogos de videogame, podiam também contar com assistência técnica e garantia, coisa inimaginável anos antes (e infelizmente inimaginável atualmente também).
Não percam, na 11ª parte: os jogos em CD-ROM tornam-se o padrão a ser seguido! Até lá!













[...] para o mercado japonês o PlayStation (unindo as duas palavras do protótipo, conforme vimos na 10ª parte de nossa história). Visualmente diferente do padrão da época, e com um joystick de dez botões muito confortável, [...]
[...] Parte 10 [...]
Só para complementar este post, pessoal, umas informações adicionais a respeito do SNES: em 1997, a exemplo do que ocorrera com o NES anos antes, a Nintendo lançou uma “versão slim” do seu console de 16 bits, que ficou informalmente conhecida como “SNES Baby”, “SNES 2″, ou “SNES Jr.”. Esta versão do aparelho era levemente menor, com linhas mais arredondadas, e vinha com um controle apenas e o jogo “Super Mario World 2 – Yoshi’s Island”.
Com tudo isso, o SNES, que deixou de ser produzido pela “Big N” em 1999, vendeu em torno de 20 (vinte) milhões de unidades, somente nos EUA.
Bem, é isso aí! Grande abraço a todos!