CQQ #10 – HQs favoritas
27 fevereiro, 2008 por Andre Miranda
O Carnaval dos Quadrinhos das Quartas, também conhecido como CQQ, foi criado no Blog do Hiroshi com o objetivo de reunir um conteúdo diversificado no que diz respeito às Histórias em Quadrinhos. Deu tão certo que hoje o CQQ chega a sua 10ª Edição.
Para comemorar este número, o tema escolhido foi “A sua HQ favorita”, onde se podia falar de seu personagem, revista ou história preferidos. Desta vez foram convidados diversos blogs que ainda não haviam participado do CQQ, difundindo ainda mais a idéia.
O Zine Acesso também decidiu fazer algo diferente desta vez. Como nosso blog é feito não por um, mas por uma equipe de colaboradores, resolvemos colocar a HQ favorita de cada um. E o pessoal caprichou!
Confira então as preferências de cada um dos membros de nossa equipe:
Cris Urbinatti – Asilo Arkhan
crisurbinatti@zineacesso.com

É uma graphic novel escrita por Grant Morrison, lançada originalmente no Brasil em 1991 e é considerado um dos títulos mais lidos. Os internos do Asilo Arkham, liderados por Coringa, se rebelam e exigem a presença do herói, que é conduzido numa jornada de tortura física e psicológica pelos vilões e pela psicoterapeuta Ruth Adams. Conhecemos também a história de Dr. Amadeus Arkhan, fundador da clínica, que se dedica à psiquiatria após conviver em sua infância com a loucura da mãe e por fim acaba insano após o violento assassinato de sua esposa e de sua filha.
É uma das histórias que mais me envolveram, pois questiona o tempo todo o limiar que existe entre a razão e a loucura e o quanto as pessoas que julgam fazer justiça não se armam das mesmas ferramentas de violência em nome de algo maior. Aqui vemos um dos heróis mais fascinantes dos quadrinhos, Batman, refletindo sua própria insanidade e delatando sua vulnerabilidade.
A ilustração de Dave Mckean é fator preponderante para a minha paixão por Asilo Arkhan, pois seus desenhos conseguem delinear a loucura e a crueldade de forma marcante. Foi o primeiro contato que tive com a obra deste ilustrador e me tornei fã a partir de então.
A capa ao lado foi feita na versão original e é uma pena não ter sido mantida nas edições traduzidas. Para quem curtir Asilo Arkhan, indico Lovecraft, de Hans Rodionoff e Enrique Breccia (Devir Editora).
F. Camatari – O Incrivel Hulk
fcamatari@zineacesso.com

Robert Bruce Banner é um cara atormentado. Este é o principal predicado de um dos personagens mais interessantes dos quadrinhos.
Inspirado em O Médico e O Monstro e idealizado em meio a Guerra Fria e a corrida armamentista (atômica), o Incrível Hulk e seu (alter) ego Bruce Banner vivem atormentados: pelo exército americano, por seu amor, Betty Ross, pelo sogro-general Thadeus Ross, por um leque de inimigos barra-pesada, pelos outros colegas heróis e por aí vai. Mas acredito que o maior tormento deste herói é seu próprio Eu. Bruce Banner retrai todos seus sentimentos, do amor ao ódio, enquanto o Hulk é personificação destes sentimentos em centenas de quilos de músculos verdes e radiação!
Por que é meu personagem predileto? Porque a possibilidade de argumentos (bons) para ele são infinitos, além da afinidade, do carisma e da identificação com ele (quem me conhece, sabe…).
Por isso, escolhi como referência uma Graphic Marvel antiga, mas sensacional (que me garantiu até uma boa redação num certo vestibular): Hulk e Coisa – A Grande Mudança. É divertida, bem escrita, bem desenhada, atemporal e remete a única coisa constante em nossas vidas: a mudança. Tive o privilégio de escrever uma matéria a respeito e que pode ser acessada aqui.
Rê Bergamin – Reino do Amanhã
rebergamin@zineacesso.com

Reino do Amanhã (Kingdom Come) é uma mini-serie futurista lançada pela DC. Desenhada pelo talentoso Alex Ross e escrita por Mark Waid, a história se passa aproximadamente 20 anos a frente da cronologia atual e representa um possível futuro do Universo DC.
O resultado final é um trabalho magnífico, pois é rico em detalhes e referências que mesmo um Decênauta de carteirinha teria dificuldade para destacar todos. É necessário ter olhos bem atentos, conhecer bem os heróis e suas histórias para entender completamente a trama.
Em um mundo onde os novos heróis não tem respeito pela humanidade, os únicos que poderão reverter a situação e salvar o mundo são aqueles que demostraram durante anos que a esperança nunca deve ser esquecida e que uma vida sempre deve ser salva. Uma história recomendada para os apaixonados pela DC.
Willian Corrêa – Crise nas Infinitas Terras
williancorrea@zineacesso.com

Quem acompanha o Universo DC ultimamente tem visto um desenrolar de “crises” sucessivas: Crise de Identidade, Contagem Regressiva Para Crise Infinita, Crise Infinita, Contagem Regressiva Para Crise Final e Crise Final… Ufa, haja crossover! Mas o importante é saber que tudo começou com a Crise nas Infinitas Terras, a mãe de todas as crises!
Saída do talento e gênio imaginativo de Marv Wolfman, George Pérez, Dick Giordano, Jerry Ordway e Mike DeCarlo, Crise nas Infinitas Terras foi um marco nos quadrinhos em geral, não apenas na DC. Fez escola e ensinou a todo mundo como se faz um mega-evento.
O objetivo por trás da saga era até bem simples, em poucas palavras era organizar o universo de heróis da DC Comics. Afinal, no meio da década de 80, prestes a completar 50 anos, o Universo DC estava uma bagunça: havia uma infinidade de universos paralelos, inúmeras versões da mesma personagem, e os próprios leitores se perdiam em meio àquilo tudo, especialmente os mais novos.
O que tinha sido uma grande sacada de Julius Schwartz nos anos 50, ao criar o conceito de Terra-2 para explicar que o novo Flash (Barry Allen) não era o primeiro (Jay Garrick), acabou tomando proporções gigantescas com a criação de inúmeras outras Terras pela imaginação dos mais diversos roteiristas.
Então, sob a batuta de Wolfman, Pérez e Giordano, a reformulação teve início! Com uma premissa até simples, de um vilão disposto a destruir todo o Multiverso (o Anti-Monitor), os heróis de várias Terras se unem para combater essa grande ameaça, com a ajuda de quem os reuniu, o Monitor. E nesse desenrolar da trama acaba sendo contada uma das maiores aventuras de super-heróis de todos os tempos, havendo até sérias baixas entre os heróis (e personagens famosas, como a Supergirl e o próprio Flash, e não personagens de 2º escalão como muitas vezes gostam de fazer). Na verdade, a morte do Flash foi até emblemático, pois o herói que acabou inaugurando o conceito de Multiverso acabou se sacrificando para restaurar o universo único que acabara de nascer.
Novo universo que começou muito bem, aliás. Deu origem ao Superman de John Byrne, ao Batman de Frank Miller e à Mulher Maravilha de George Pérez, dentre outros. Porém, 20 anos depois quiseram dar uma mexida nisso tudo, o que resultou na Crise Infinita, para muitos uma saga de gosto duvidoso e que acabou até por macular a memória daquela que foi a verdadeira crise.
A DC promete lançar neste ano a Crise Final, argumentando que na verdade suas “crises” são uma trilogia, e que agora as coisas serão muito bem explicadas e colocadas no seu devido lugar. Como o roteiro ficará nas mãos do talentoso (e muitas vezes controverso) Grant Morrison, muitos fãs já ficaram aliviados. Agora, se esta nova crise fará jus à crise original, só daqui a alguns anos saberemos, se porventura ela alcançar o status de “cult” ou de apenas mais um “caça-níquel”…
André Miranda – Preacher
andremiranda@zineacesso.com

Jesse Custer era um pastor de uma cidadezinha no Texas. Atormentado por uma crise de fé, ele vê sua vida mudar por completo quando o sobrenatural acontece. Enquanto fazia um de seus sermões, algo se apossa dele e mata toda a sua congregação ali reunida.
Ele não sabia, mas que essa criatura, conhecida como Gênesis, era na verdade um ser gerado da união entre um Anjo e um Demônio, e que ao fugir de sua prisão no Céu, acabou se escondendo em seu corpo. Possuído pela criatura, o reverendo adquire o poder da “voz”, que faz com que todos obedeçam a suas ordens, não importam quais sejam.
Acusado de assassinado ele tem que fugir e no caminho ele encontra sua ex-namorada Tulipa, e Cassidy, um vampiro irlandês tentando se regenerar. Depois de confrontar alguns Anjos em sua fuga, Jesse descobre sobre Gênesis e também fica sabendo que Deus está sumido desde que a criatura escapou. Ele resolve então partir em busca do Todo Poderoso para ter uma palavrinha com ele e cobrar algumas explicações. Só que tem mais alguém a procura de Gênesis… um tal de Santo dos Assassinos.
Esse é apenas o começo da série Preacher, escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon. Publicada pela DC Comics sob o selo Vertigo, teve 66 edições e mais 6 especiais (66+6… hum) além do especial Santo dos Assassinos do qual já falei aqui no Zine Acesso. É um material imperdível e vale a pena ser conferido por quem gosta de um pouco de humor negro e histórias sobrenaturais envolvendo o céu e o inferno. Recomendo!













[...] Zagor Gigante fala sobre Zagor Ken Parker fala sobre Ken Parker Hellblazer no Busilis Uma Malla pelo Mundo fala da Turma da Mônica Blogosferrado fala do Cebolinha Quadrideko fala sobre Batman no Túnel do Tempo. A equipe Zine Acesso falou de Asilo Arkham, Incrível Hulk, Reino do Amanhã, Crise nas Infinitas Terras e Preacher. [...]
Parabéns pelo ótimo trabalho. Em breve colocarei no ar minhas HQs do CQQ 10
Abraços
Seleção de alto nível! De todos esses, apenas não gosto do Hulk. Já li crise nas infinitas terras e garanto que é muito bom, apensar de alguns uniformes extremamente ridículos (vide asa noturna) que alguns personagens usavam na década de 80.
Excelente trabalho da Equipe.Parabéns !
Hehehehe… O perfil de nossos personagens prediletos aponta para algo que sempre insisti: a DC faz ótimas edições especiais e a Marvel, as melhores séries regulares. E sobre Hulk, em 2007 o golias verde segurou as pontas no mercado e colocou as vendas da Marvel nas costas. Veremos o resultado aqui este ano.
Lá fora ou aqui dentro, Civil War (2006/2007), World War Hulk (2007/2008) e Secret Invasion (2008/????), atestam o que disse…
EXCELSIOR!
Hum, mas também não podemos nos esquecer das ótimas fases das revistas regulares do Superman (de Richard Donner), do Batman (de Grant Morrison, Lanterna Verde (de Geoff Johns e Ivan Reis) e Liga da Justiça (de Brad Meltzer e Ed Benes). Isso sem contar 52 semanas e Sinestro Corps War, que em breve vai aportar por aqui…rsrsrsrs
Up, Up and Away!
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