Top

Batman de Tim Burton

15 agosto, 2008 por Willian Correa 

Batman - The Movie PosterE aí, gostou do Cavaleiro das Trevas? E do Homem de Ferro e do Incrível Hulk? Legais estes filmes de super-heróis, não? Aliás, parece que Hollywood só vive de adaptações de histórias em quadrinhos e remakes atualmente.

De qualquer maneira, este paraíso para o público nerd e amantes da nona arte que o cinema se tornou hoje em dia demorou a emplacar. Houve uma época em que a simples menção de que seu roteiro de filme se tratava de uma adaptação de um gibi faria qualquer estúdio correr a milhas de distância de você. Apenas alguns poucos corajosos se arriscavam a desbravar este território até então inóspito e desconhecido. “Batman”, de Tim Burton, foi um deles. E para completar essa nossa série de especiais do homem-morcego comemorando seu novo filme, o Zine Acesso traz até vocês esta matéria a respeito deste que foi um importante filme para o cinema baseado em HQs.

O ano era 1989. Após a bem sucedida incursão da Warner e dos irmãos Salkind com “Superman” e “Superman II”, respectivamente em 1978 e 1980, os super-heróis não tinham uma boa imagem em outras mídias senão os quadrinhos: com as duas outras questionáveis continuações do homem de aço e algumas outras adaptações horríves, como naquela série de filmes do Hulk, bem como as sofríveis séries de TV do Homem-Aranha e do Capitão Marvel, a situação ficara ainda pior.

Com relação ao Batman, a coisa degringolava ainda mais. Naquela época, se você falasse nele, a primeira imagem que viria à cabeça seria aquela do gordinho Adam West e de seu parceiro Burt Ward, usando colantes, e enfrentando inimigos ainda mais risíveis do que eles. Triste situação para o cruzado de capa…

Batman de Tim BurtonPorém, naquele longínquo ano de 1989 a situação iria mudar: inspirados principalmente pela aclamadíssima história “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller – que mudou a imagem que o público tinha do homem morcego – e por várias outras graphic novels do Batman, os executivos da Warner já imaginavam os lucros que porventura viriam de uma adaptação decente para o cinema. E decidiram arriscar!

Ao anunciar que produziria um filme do Batman, a Warner deixou os fãs em polvorosa, ainda mais depois de dizer quer o roteiro se inspirava especialmente em “O Cavaleiro das Trevas” e “A Piada Mortal”, esta última de autoria do mestre Alan Moore. Porém, quando contaram que o diretor seria Tim Burton, que tinha no currículo apenas dois filmes de comédia, “A Grande Aventura de Pee Wee” e “Os Fantasmas Se Divertem”, e que o Batman seria Michael Keaton, um ator também de comédias, baixinho e meio careca, o público tremeu.

Os ânimos só se acalmaram um pouco quando anunciaram o Coringa, Jack Nicholson, e quando mostraram uma foto de divulgação de Keaton usando o uniforme do herói: com o aspecto de uma armadura (muito mais plausível do que um colante, diga-se de passagem) e todo negro, o Batman impunha respeito. Era esperar pra ver, então.

E o público esperou. E viu. Mas e o filme, foi bom? Foi ruim? As opiniões se dividem até hoje. O roteiro não era lá essas coisas, cheio de clichês e piadinhas infames, especialmente de Bruce Wayne. O protagonista, aliás, foi um dos mais descaracterizados com relação aos quadrinhos: de exímio detetive e mestre em praticamente todas as formas de luta, resultado de seu ostensivo treinamento, Bruce foi representado como um milionário meio bobo que na verdade tinha um monte de bugigangas legais para combater o crime (fato notado pelo Coringa também, com sua clássica frase em um dos momentos do filme: “– Onde é que ele arruma estes brinquedos?”).

Aliás, lutar não era uma das especialidades desse Batman, não por culpa do Keaton ou do roteiro, mas do uniforme que criaram. Era legal o aspecto de armadura, mas do jeito que o fizeram não havia mobilidade nenhuma para o ator, o Batman nem conseguia virar o pescoço!

Isso sem contar as atuações pífias de Kim Basinger (Vicky Vale) e Pat Hingle (Comissário James Gordon), dentre outros. O promotor público Harvey Dent (Billy Dee Williams) então, nem se fala, ninguém soube porque ele estava no filme, terminou do jeito que começou…

Coringa/Joker - Batman 1999Salvou-se mesmo a atuação de Nicholson como o Coringa. Interpretou tão bem o príncipe palhaço do crime que sua versão do personagem era até há pouco tempo tida como a definitiva e imortal. Para alguns ainda o é, para outros, foi ofuscada agora pela de Heath Ledger. O que é consenso é o fato de que foi emblemática, isso sem sombra de dúvida, carregando o filme nas costas.

Jack Nicholson, a propósito, mostrou-se um grande visionário com relação a negócios: apostou tudo no filme, abdicando de seu cachê para receber parte nos lucros que porventura o filme teria. Acabou acertando a mão, pois o filme, mesmo sendo mais ou menos, foi campeão de bilheteria e iniciou uma onda de batmania sem igual. Mesmo nos dias atuais, se você compra um DVD deste filme ou qualquer produto relativo a ele, você manda um dinheirinho para os bolsos do Senhor Nicholson. Vá ter sorte assim lá em Gotham!

Enfim, como resultado final, mesmo não sendo lá grandes coisas, o filme tem seus méritos: recriou o interesse pelos super-heróis (aqui no Brasil, por exemplo, a Estrela, convenientemente, chegou a pegar o bonequinho do Batman da série Superpowers e o lançou com o uniforme negro para empolgar a criançada que vira o filme), inspirou uma nova série animada do cavaleiro das trevas, “Batman, The Animated Series”, (ganhadora de vários prêmios e que serviu de alçada para outras, como “Superman Animated”, “Batman Beyond”, “Justice League” e “Justice League Unlimited”, todas sob a batuta de Bruce Timm e Paul Dini), e abriu as comportas para as adaptações de histórias em quadrinhos para o cinema, culminando com a especialização em “X-Men” de Bryan Singer em 2000 e “Homem-Aranha” de Sam Raimi em 2001, e a maturidade com “O Cavaleiro das Trevas” de Christopher Nolan, agora em 2008.

Portanto, se você não conhecia o filme ou então não encontrou motivos para vê-lo até hoje, vá assistí-lo. Você irá conhecer como se faziam filmes de super-heróis há quase 20 anos atrás, bem como aquele que foi o divisor de águas para os filmes baseados em histórias em quadrinhos.

Com certeza dá pra dizer que filmes de quadrinhos dividem-se em antes e depois de “Batman”. Sendo assim, muito obrigado, Senhor Burton!

Leia também:

Post-Plugin Library missing

Comentários

Fique a vontade para deixar seu comentário.
Se quiser uma figura para aparecer em frente ao seu comentário, adquira o seu no site gravatar!





Bottom