A história dos videogames – Parte 11
25 agosto, 2008 por Willian Correa
Aqui estamos novamente, dando continuidade à série de posts sobre a história dos videogames. Foi uma longa caminhada até aqui, mas apesar dos percalços, não podemos deixar vocês, queridos e assíduos leitores, desamparados, não é?
Bem, então, para recomeçarmos com o pé direito, vamos direto ao que nos interessa, nossa paixão. Vamos falar de videogames!
3DO, Jaguar e Saturn, as tentativas de novos passos
Continuando nossa história, no início dos anos 90, tínhamos o seguinte panorama: a Nintendo, com seu SNES, ganhava cada vez mais mercado do Mega Drive da SEGA, e outros possíveis concorrentes só comiam poeira nesta corrida, ou seja, ninguém oferecia nada de inovador para atrair os jogadores. A nova mídia para jogos – o CD-ROM – até que parecia ter um futuro promissor, mas ninguém tinha desenvolvido a idéia a contento até então.
Porém, em 1993, Trip Hawkins, fundador e presidente da Eletronic Arts, decidiu investir em uma idéia que, se desse certo, mudaria o curso da história do entretenimento eletrônico: o padrão único de hardware, assim como a JVC fizera com o formato VHS para filmes (e que segue até hoje, com o DVD e agora com o Blue-Ray). Em suma, seria simples: várias empresas poderiam fabricar seus próprios consoles, que iriam rodar todos a mesma mídia; ganharia então quem oferecesse a melhor relação custo-benefício aos consumidores. E qual seria o nome deste novo padrão a ser seguido? Isso mesmo, 3DO!
Fundando a 3DO Company em parceria com outras empresas, Hawkins julgou que sua idéia tinha tudo para ir para frente, afinal, se as indústrias de eletrônicos adotassem esse padrão, poderiam todas produzir seus consoles pagando apenas os “royalties” pelo uso do 3DO, igualzinho ao que aconteceu com o VHS.

Quem se empolgou bastante com a idéia foram a Goldstar e a Panasonic, que chegaram a produzir seus aparelhos (este último, aliás, foi o que ficou conhecido aqui no Brasil, e por isso muitos pensam que o 3DO foi um console lançado pela Panasonic), mas houve um fator importantíssimo que atravancou as vendas: o preço… Assim como ocorrera com o Neo Geo, um console caro não conseguia atrair muita gente, por mais que fosse revolucionário; custando em seu lançamento cerca de 700 dólares, poucos se deram ao luxo de gastar tudo isso apenas para jogar.
Isso foi tão catastrófico que muitas softhouses que tencionavam produzir jogos para este novo padrão abandonaram a idéia, dado o alto preço. Sobraram assim algumas poucas corajosas que tentaram, como a própria Eletronic Arts (é claro, era uma das acionistas) e a Capcom, com seu Super Street Fighter II; este último, aliás, é considerado a melhor transcrição de Street Fighter do arcade para um console caseiro, até o secreto personagem Akuma ele possuía.
O fim vocês já podem imaginar: o 3DO afundou também, tendo como fator importante a inauguração dos consoles de 32 bits.
Fim semelhante teve o Jaguar, da Atari, e o Saturn, da SEGA. Enquanto o primeiro anunciava ser o primeiro console de 64 bits do mundo (uma mentira, pois na verdade ele possuía dois processadores de 32 bits, o que não lhe dava realmente o dobro de capacidade), o segundo tentou se apegar ao antigo padrão de jogos, em 2D.
O Jaguar e o Saturn não foram consoles caros em seu lançamento, mas o preço é apenas um dos pilares no qual se sustenta o sucesso dos videogames. Ter bons jogos também é fator essencial, e isso os dois não tinham: os do Jaguar eram poucos e de horrível jogabilidade, e os do Saturn eram em sua maioria em duas dimensões, em um período em que os gráficos 3D já estavam começando a empolgar os gamemaníacos.
Enfim, mais dois fracassos destas duas empresas. A partir daí, a Atari teve seu triste fim, conforme narramos na terceira parte da nossa história, e a SEGA ainda iria tentar de novo com seu Dreamcast, conforme veremos adiante.
Mas a revolução de verdade ainda estaria por vir, e é isso que vamos conferir na próxima parte!
Na 12ª parte, o poderoso PlayStation da novata Sony. Precisamos dizer mais? Até lá!













Como sempre, excelente matéria. ainda acho q no final dá pra juntar todos os posts sobre a história do videogame e lançar um livro. Parabéns
E como de costume lembrei do jogo que mais joguei no 3DO, Yu Yu Hakusho.
Ainda não entendo pq não o padrão 3DO não vingou.
Valeu, Leandro! A propósito, boa a sua lembrança de Yu Yu Hakusho, especialmente porque essa era a época do auge deste anime. Abração!
[...] Miranda Bem, aqui estamos novamente, tratando de videogames. Como bem se lembram, no post anterior, quando tratamos do 3DO, vimos que o CD-ROM ainda engatinhava como mídia de jogos para consoles [...]
Apenas mais uma nota de errata minha, pessoal, o nome correto da desenvolvedora de jogos é “Electronic Arts”, e não “Eletronic Arts” como eu colocara. Desculpem-me a falha… Abraços a todos!