A história dos Videogames - Parte 12
10 setembro, 2008 por Willian Correa
Bem, aqui estamos novamente, tratando de videogames. Como bem se lembram, no post anterior, quando tratamos do 3DO, vimos que o CD-ROM ainda engatinhava como mídia de jogos para consoles caseiros. Vamos conhecer agora aquele que mudaria essa situação e se tornaria o maior pesadelo da SEGA e da Nintendo, o PlayStation!
Surge o PlayStation, dando fim à era “SEGA vs Nintendo”
A origem do console da Sony é bem interessante: no início dos anos 90, a Nintendo decidira que lançaria um acessório para rodar CDs no SNES, assim como a SEGA fizera com o SEGA-CD e seu Mega Drive; contatou algumas empresas para desenvolverem protótipos, e chegou a firmar contrato com a Sony.
O destino não quis que as duas se unissem, no entanto, e por desacordos comerciais entre ambas, a Nintendo acabou por romper abruptamente a parceria com a Sony, preferindo um protótipo da Phillips que acabou nunca sendo lançado.
A Sony, então, acabou com um “encalhe” nas mãos: investiu tempo e dinheiro no seu protótipo, o Play Station, e agora lá estava ele, parado e sem destino certo. Mas, num lampejo de inteligência apesar do grande medo, afinal, mesmo sendo uma grande empresa de produtos eletrônicos, videogames nunca foram a sua praia, a Sony decidiu que levaria o projeto para frente
E assim, apostando alto, a Sony no final do ano de 1994, lançou para o mercado japonês o PlayStation (unindo as duas palavras do protótipo, conforme vimos na 10ª parte de nossa história). Visualmente diferente do padrão da época, e com um joystick de dez botões muito confortável, seu sucesso foi imediato, similar ao que ocorrera anos antes com o Famicom.

Quase um ano depois, em setembro de 1995, ele aportou nos EUA onde já era muitíssimo aguardado, e já no primeiro final de semana vendeu 100 mil unidades. O PlayStation (ou PSX, como foi apelidado) ainda estava atrás do SNES em vendas até essa época, mas aos pouquinhos foi conquistando terreno, e logo em 1996 derrubou todos os seus rivais, tornando-se líder.
Mas qual foi seu segredo, afinal? Simples, ele reuniu todas as qualidades interessantes para um console: jogos em CD-ROM, mais baratos e com capacidade de armazenar mais dados do que os obsoletos cartuchos, bons títulos, em especial com gráficos em 3D, a sensação da época, e preço acessível.
Outra grande estratégia foi ter firmado contrato com praticamente todas as softhouses do Japão, EUA e Europa para a produção de seus jogos, e clássicos como “Castlevania – Symphony of The Night”, “Gran Turismo“, “FIFA Soccer”, “Medal of Honor”, “Mega Man Legends”, “Need for Speed”, “Resident Evil”, “Tomb Raider” e “Winning Eleven” tornaram-se febres instantâneas. Mas a que causou maior estardalhaço foi a Square, com seu “Final Fantasy VII”: magnífico RPG em 3D, maravilhava qualquer um que o jogasse, e representou o fim da parceria que a softhouse tinha com a Nintendo, a partir deste título, a casa de Mario & cia. nunca mais teria um jogo seu, que assinou exclusividade com a Sony. Foi um duro golpe para a Nintendo, que se arrependeu amargamente de ter menosprezado a capacidade alheia.

Final Fantasy VII
Outro grande atrativo foi uma ótima inovação que o console apresentou, a capacidade de armazenar os avanços nos jogos e reiniciá-los do ponto em que se parou anteriormente. Isso foi possível com o Memory Card, que praticamente mudou a maneira de se jogar videogame, nada mais de passwords ou códigos, tudo ficava guardado no pequeno dispositivo acoplado ao console. Isso permitiu aos jogos ficarem ainda mais longos, proporcionando ainda mais horas de diversão aos jogadores.
Outra novidade interessante surgida com o tempo foi a função “Dual Shock” dos novos joysticks, que permitia ao jogador sentir suas mãos tremerem conforme algum evento acontecia no jogo.
Com tudo isso, o PSX conseguiu bater dois recordes: o de console caseiro mais vendido do mundo, desbancando o NES, e de ter o maior número de títulos lançado, derrubando do trono o SNES, o que o tornou o console mais bem sucedido do mundo. Em 2000, ele recebeu uma “plástica”, tornando-se mais elegante e compacto, e mudando sua sigla para PSOne; apenas estética, a mudança foi muito bem recebida, e foi sob esta aparência que ele terminou seu reinado, passando o bastão para seu sucessor, o PlayStation 2 (PS2).
Já no Brasil, o PSX, ou PSOne, nunca foi lançado oficialmente. A Sony do Brasil simplesmente decidiu não produzí-lo por aqui, alegando que jamais poderia competir com tamanha pirataria e importação ilegal. Não estando a Sony de todo errada, sofremos nós brasileiros, que nunca pudemos ter assistência técnica autorizada, garantia ou jogos originais a preços acessíveis…
Não percam, na 13ª parte: a Nintendo tenta dar o troco!















Interessante o texto, mas o comentário sobre o memory card foi exdrúxulo. Armazenar o conteúdo dos jogos e reiniciar de onde parou foi algo que até o Zelda de Nintendinho fazia, mais de 10 anos antes do playstation. O sistema de passwords já estava praticamente morto na época do SNES (sendo usado mais para cheats). Desde o Final Fantasy I já se utilizava o sistema de saves. Ou você acha que quando as pessoas jogavam Final Fantasy VI elas tinham que anotar passwords toda vez que fossem salvar?
O memory card foi é inventado pela sony para sanar um problema dos cds: que eles são read-only, ou seja, não se pode salvar nada neles. Nos cartuchos com bateria, os saves dos jogadores eram armazenados no próprio cartucho. O memory card não foi um avanço, mas um empecilho: é mais um periférico que o jogador PRECISA comprar se ele quiser jogar algum jogo mais longo, e que espertamente não vem incluso com o videogame. Tanto é verdade que o memory card é um retrocesso que os videogames desta geração NÃO possuem memory cards, usando a memória interna para salvar os jogos. Além disso, os memory cards do PSX são bem vagabundinhos (quem nunca perdeu um jogo num memory card que deu pau?).
Basicamente, o memory card não mudou a maneira de jogar videogame, apenas foi a maneira que a sony achou de salvar os dados do jogador, coisa que acontecia até no nintendinho.
Outra coisa. O Dual Shock foi a resposta da Sony ao Rumble Pack da Nintendo.
Olá, amigo! Realmente, o sistema de “saves” já existia antes, em especial no “The Legend of Zelda” do Nintendo 8 bits, como muito bem citado por você. Mas esta era uma exceção comparado ao que imperava na época: muitos outros jogos, como o próprio “Final Fantasy” (versão original, não a “remasterizada”) e “Metroid”, funcionavam na base de passwords para gravar seus avanços. Com o SNES não era diferente, e comparados à vasta lista de títulos que o console possuía, muito poucos usavam o sistema de bateria nos cartuchos; apenas alguns como “Chrono Trigger”, “Super Metroid” , “”Super Mario All Stars” , “The Legend of Zelda - A Link to the Past” e “Final Fantasy VI” (bem citado por você também) eram representantes deste tipo de cartucho.
O que eu quis dizer ao relatar a inovação que o Memory Card foi é que a Sony transformou algo que era raro no padrão a ser seguido a partir de então. Concordo também que era sacanagem não vir o Memory Card junto ao console, mas fazer o quê, não é? É o famoso capitalismo selvagem, lei da oferta e da procura… Mas não tem como negar que usar o CD foi muito melhor do que os cartuchos; tudo bem, eles têm o famigerado “Now Loading”, mas são muito mais baratos do que os cartuchos. Para você ter uma idéia, meu irmão morou nos EUA por um tempo, e enquanto um CD de PSOne original (sem ser lançamento) custava em média 1,99 dólar, os cartuchos de N64 custavam em geral 14,99 dólar, o mesmo que um jogo de PS2 ou Gamecube. Não tinha como concorrer, por isso o N64 afundou mesmo; cartuchos (mesmo com bateria) já estavam há muito ultrapassados, tanto que nunca mais foram usados e até a Big N se rendeu às novas mídias.
A propósito, também concordo que ainda bem que os consoles atuais têm HD para se salvar os progressos, mas lembre-se, ao falar do PSOne, estamos falando do final dos anos 90. Console com HD naqueles tempos? Nem em sonho…
De qualquer maneira, grande abraço, e valeu pela participação!
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