A História dos Videogames - Parte 13
25 setembro, 2008 por Willian Correa
Na 12ª parte da História dos Videogames vimos que Nintendo e SEGA encontraram um rival que jamais imaginaram, a Sony e seu poderoso PlayStation. Ao derrubar as duas da eterna luta pela liderança, era de se esperar que as já tradicionais empresas do ramo tentassem dar a volta por cima, e foi o que fizeram.
A resposta da Nintendo
Nossa história agora nos leva a 1994, um período em que a Nintendo já começava a sentir que tinha feito uma burrada ao quebrar o contrato com a Sony: aquele protótipo para o qual ela não dera muita importância já tinha se tornado um console, e dava sinais de que iria fazer sucesso. Era preciso fazer algo para reverter isso, afinal o SNES já não iria agüentar a briga com estes novos pesos-pesados por muito tempo.
A empresa teve uma primeira tentativa ao lançar timidamente o Virtual Boy (console portátil que prometia ser possível jogar em uma realidade virtual), mas devido ao seu precoce fracasso, ele mal ficou conhecido pelo público. Isso feriu um pouco o orgulho da Big N, mas ela não se abalou, afinal, seu plano principal era outro.
Ainda em 1994 ela anunciou que não iria produzir um console de 32 bits, mas sim quebrar paradigmas ao colocar no mercado o primeiro videogame de 64 bits da história. E assim, com promessas de lançamento para 1995, o console de nova geração foi inicialmente batizado de Ultra 64.
Porém, 1995 passou, e nada. Só em junho de 1996, então, após uma série de adiamentos, o esperado novo console foi lançado no Japão, com o nome alterado para Nintendo 64. Logo em seguida, em setembro do mesmo ano, ele aportou nos EUA, custando módicos US$ 250,00 (um valor até baixo para o poderio do videogame).

Com um lançamento estrondoso, marketing agressivo e promessas de bons jogos, o Nintendo 64 parecia bem assustador aos concorrentes, e aparentava recuperar a liderança da Nintendo no mercado de videogames: seus jogos apresentavam gráficos com recursos de correção de contornos nas imagens, bem como de “borrar” as texturas, o que permitia maior realismo, ao contrário dos cenários em 3D apresentados pelo PSX, por exemplo. Além disso, seu joystick era bem revolucionário, com vários botões, além de um gatilho, manche analógico e encaixe para o acessório Rumble Pak, que fazia o controle tremer (diferenciais estes que a Sony rapidamente adaptou ao novo joystick do PSX, o Dual Shock).
Em termos de diversão, seus jogos também não ficavam devendo. Títulos como “Cruis’n USA”, “Mario Party”, “Pokémon Stadium” (aproveitando a febre da época), “Quake”, “Star Wars – Shadows Of The Empire”, “Super Mario Kart 64”, “Super Smash Bros.” e “The Legend Of Zelda – Ocarina Of Time” foram sucessos imediatos. Versões de Castlevania, como “Castlevania” e “Castlevania – Legacy Of Darkness”, de Mega Man, como “Mega Man 64” (na verdade uma adaptação de “Mega Man Legends” do PSX) e de Resident Evil, como “Resident Evil 2”, também chegaram a ser lançadas, e tiveram em geral boa repercussão também.
Mas o jogo que causou a melhor reação junto às pessoas foi justamente seu primeiro, “Super Mario 64”. Saído também do gênio imaginativo de Shigeru Miyamoto (o próprio “pai” do Mario) ele foi considerado pelo público e crítica especializada da época como o melhor jogo de videogame já criado até então.
Porém, mesmo com tudo isso, o N64 não se tornou líder de mercado. No Japão, ele ocupou no máximo o terceiro lugar em vendas (atrás do PSX e até do Saturn), enquanto nos EUA ele conseguiu ficar em segundo, atrás de novo do console da Sony. Mas se o N64 era tão maravilhoso assim, porque não emplacou de vez? A resposta é simples: seus próprios jogos…

Apesar de serem lançados muitos títulos, os números nem se comparavam quando comparados aos do rival PSX. Somado a isso, a Nintendo cometeu um grande erro ao confiar em sua arrogância e continuar investindo nos ultrapassados cartuchos: pesados, caros e capazes de armazenar pouca informação (cerca de 32 MB), não foram páreo para os CDs, com capacidade de reproduzir músicas e sons digitalmente e armazenar até 700 MB de dados. Nem a capacidade de salvar os progressos dos jogos os cartuchos apresentavam como vantagem, pois o console também teve que lançar seu “memory card”, batizado de Memory Pak.
Outro ponto fraco foi aparecendo conforme o tempo passava: rapidamente os jogadores percebiam que os jogos de um console de 64 bits nem eram tão superiores assim aos de um de 32 bits, e o N64 foi tendo queda em vendas.
Aqui no Brasil o console chegou a ser lançado pela Playtronic também, mas nunca vendeu muito bem, devido ao alto preço. Afinal, também foi vítima da importação desenfreada, e um PlayStation chegava a custar muito mais barato que ele.
O fato é que como saldo geral, o Nintendo 64 foi um bom videogame e lutou bravamente contra seus rivais até o fim. A Nintendo mais uma vez aprendeu a duras penas o quanto a concorrência é acirrada, e que chegar a posição de nº 1 é difícil, mas mantê-la ou recuperá-la são tarefas mais árduas ainda.
Na 14ª parte da História dos Videogames: a SEGA também tenta (pela última vez)… Até lá!!!














Pow, william a série tá muito boa, parabéns, vou ficar de olha pra proxima parte.
continue assim.
Nossa que legal, li a décima segunda e naum parei mais…quis verificar o restante…
Muito legal, parabéns pela matéria.
Ana Lúcia de Camargo Corrêa
Muito interessante! As primeiras partes me deixaram com saudades do meu Atari e do MSX, principalmente.
Ótima iniciativa.
[...] nossa jornada pela fascinante história do entretenimento eletrônico. Como devem se lembrar, nossa última parada contou a trajetória do N64, poderoso console da Nintendo, criado especialmente para derrubar a [...]