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Especial Watchmen – A idéia para a criação da obra

6 março, 2009 por Willian Correa 


watchmenBem, a espera está quase no fim. Depois de uma longa caminhada, finalmente poderemos ver na tela grande a obra em quadrinhos que muitos ainda hoje consideram impossível de se adaptar: Watchmen, a mini-série que junto com O Cavaleiro das Trevas tirou os quadrinhos do lugar comum e praticamente desconstruiu o mito clássico dos super-heróis.

Independentemente se o filme irá agradar o público em geral e os fãs (esses muito mais difíceis de se conquistar, haja vista o próprio autor da obra, Alan Moore, ser ferrenho opositor da produção cinematográfica), o fato é que Watchmen não é uma história fácil de se digerir, e este é o grande desafio que o diretor Zack Snyder – que tem sido chamado de “visionário” – terá que superar: o gibi tem muitíssimos diálogos e recordatórios, peças que correm paralelas à trama e a completa, fugindo à regra da maioria dos roteiros de filmes de heróis atuais, em que é necessário haver muita ação para agradar às grandes massas. Isso Watchmen não tem mesmo, e se por acaso foi colocado na película, a obra em si já foi maculada.

Mas não é para isso que esta matéria foi colocada ao ar hoje, a resenha e uma crítica completa do filme vocês poderão conferir muito em breve aqui mesmo no Zine Acesso, mas até lá, ficaremos com mais este post do nosso Especial Watchmen, que tratará de onde o mestre Alan Moore buscou inspiração para a criação de personagens tão interessantes. Sendo assim, vamos voltar mais de vinte anos no tempo.

Nossa história começa na segunda metade dos anos 80, quando o universo editorial da DC estava em polvorosa: Crise nas Infinitas Terras (sempre ela) enfim terminara, culminando em uma única realidade ficcional, coesa e novinha em folha para reescrever as mitologias de todos os personagens da editora, dos grandes ícones ao baixo escalão. E tudo estava começando muito bem: o Superman de John Byrne, o Batman de Frank Miller e a Mulher-Maravilha de George Pérez estrearam com novas abordagens, dando um novo fôlego aos “quase cinquentões” heróis.

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Conforme diz a “lenda”, foi nesse ponto que Alan Moore decidiu intervir também: criador de boas estórias que é, bolou um roteiro com os personagens advindos da extinta Charlton Comics adquiridos alguns anos antes pela DC, e que antes de Crise nas Infinitas Terras pertenciam à Terra-4, conforme vocês podem conferir em nossa série de posts sobre as Terras do UDC.

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Alan Moore

Porém, tão logo o “Bruxo de Northampton” mostrou suas idéias ao editor da DC na época, Dick Giordano, este gostou do conteúdo mas disse a Moore que não poderia publicar aquilo com aqueles heróis. A editora já tinha outros planos para eles, como por exemplo a participação do Besouro Azul e do Capitão Átomo na Liga da Justiça Internacional de Keith Giffen e J. M. DeMatteis. Além disso, a temática era bastante adulta, com assassinatos, conspirações, violência, geopolítica, o que não cairia bem em revistas de linha para aqueles heróis, mesmo com o Comics Code não tendo mais força nos quadrinhos norte-americanos.

O bom editor, no entanto, fez uma proposta a Moore, para que ele ainda aproveitasse aquela estória, só que com novos personagens, totalmente desconhecidos do público, de maneira que estariam livres das amarras editoriais das revistas de linha, como cronologia e imposições de mercado. E aí, o que aparentemente poderia ser considerado um revés para muitos, para Alan Moore foi o combustível que faltava para sua imaginação, o que tornou a obra ainda maior e melhor.

Unindo-se ao desenhista Dave Gibbons com quem já trabalhara antes, incluindo aí uma das mais memoráveis aventuras do Superman, “Para o Homem Que Tem tudo”, Moore desenvolveu aquele enredo, que das iniciais seis edições planejadas, acabaram se tornando doze, dada a riqueza de detalhes que ele inserira com eventos narrados paralelamente, tudo para contextualizar plenamente o leitor naquele pequeno universo que ele criara, resultando naquilo que conhecemos e veneramos hoje.

Mas talvez vocês possam estar se perguntando porque contamos esta história de que Moore utilizou inicialmente os personagens da Charlton. Ora, ele basicamente modificou apenas um pouco os super-heróis originais, mantendo pequenas sutilezas que nos permitem reconhecer quase que instantaneamente de quem eles foram inspirados. Não acreditam? Vejam só:

Comediante/Pacificador

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Enquanto Chris Smith era um diplomata norte-americano que usava a identidade heróica de Pacificador para lutar contra bandidos e inimigos dos EUA, sua contraparte em Watchmen, Edward Blake, o Comediante, tornara-se herói nacional depois de aceitar trabalhar para o governo norte-americano, atuando inclusive na Guerra do Vietnã, que ajudou a vencer. Em sua visão, ele também defende a América, assim como o faz o Pacificador.


Coruja/Besouro Azul

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A maioria conhece a história de Ted Kord, o Besouro Azul: exímio cientista e inventor, Ted criou um uniforme e veículo voador inspirados em seu herói de infância, Dan Garret, o Besouro Azul original.

Com origem praticamente idêntica, Dan Dreiberg, também inventor, inspirou-se em seu ídolo, Hollis Mason, o Coruja original, para combater o crime. Até a presença do veículo voador ele compartilha com seu colega da continuidade normal da DC.

Dr. Manhattan/Capitão Átomo

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Originalmente na Charlton, Allen Adam era um militar que após um acidente nuclear tornou-se o super-herói Capitão Átomo. Após Crise nas Infinitas Terras, o personagen passou por algumas modificações, como origem, aparência e até nome, sendo alterado para Nathaniel Adams.

Mesmo assim, essa origem lhe soa familiar? Isso mesmo, foi desta exata maneira que Jon Osterman ganhou seus poderes e se tornou o Dr. Manhattan, o único verdadeiro super-humano da trama, praticamente um deus sobre a Terra.


Espectral/Sombra da Noite

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Na DC, Eve Eden, a Sombra da Noite tem a capacidade de controlar as sombras e a escuridão, enquanto que em Watchmen, Laurie Jupiter treinou para seguir os passos de sua mãe, Sally Jupiter, a Espectral original, mesmo que isso não fosse o que ela realmente queria para sua vida.


Ozymandias/Thunderbolt

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Peter Cannon tornou-se órfão na infância, foi criado em um mosteiro e decidiu aplicar o que aprendeu no combate ao crime quando se tornou adulto. A princípio sem poder algum, foi ganhando algumas habilidades extras conforme o tempo, como superforça e vôo.

Já Adrian Veidt, em Watchmen, também se tornou órfão na infância, doando a fortuna de seus pais e recomeçando do zero uma nova enquanto vagava pelo mundo e se aprimorava, física e mentalmente, até decidir ser o herói conhecido como Ozymandias. Enquanto o Thunderbolt era um mero desconhecido na DC, sua contraparte em Watchmen é de suma importância na trama, difícil até de classificá-lo: herói, anti-herói, vilão? Expressem suas opiniões…

Rorschach/Questão

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Charles Victor Sage desenvolveu um polímero especial que colocado em seu rosto, mascarava suas feições, o que o permitiu combater o crime como o vigilante mascarado conhecido como Questão.

De maneira semelhante, Walter Kovacs passou a utilizar uma máscara de um tecido especial que lhe permitia esconder seu rosto para lutar contra criminosos em sua identidade de Rorschach. Além da máscara, Questão e Rorschach têm como marcas registradas o sobretudo e o chapéu.


E é isso aí, o resultado todos nós conhecemos: Watchmen tornou-se um divisor de águas para os quadrinhos, que foram alçados à alcunha de cult e literatura propriamente dita, não sendo mais considerados apenas “gibis”, e deu mais notoriedade a alguns de seus personagens do que às versões originais dos quais foram inspirados. Não é à toa que Alan Moore é tão admirado…

Fontes:
Comic Book Resources
Omelete
Melhores do Mundo
Wikipédia

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Comentários

2 Comentários para “Especial Watchmen – A idéia para a criação da obra”

  1. especial watchmen | Trinta e Poucos em 7 março, 2009 7:41

    [...] Calma, você pode ver aqui! [...]

  2. Fernando em 14 agosto, 2010 0:38

    Quando vão produzir a sequência de Watchmen, ou melhor Watchmen 2?

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